RPG e a ignorância

RPG e a ignorância

RPG e Preconceito
RPG e Preconceito
Começou hoje o julgamento dos acusados de terem matado uma moça em Ouro Preto em MG durante uma partida de RPG. Esta é a quarta tentativa de julgamento.

Na época do crime a mídia foi bem mais irresponsável e colocava o RPG no mesmo patamar de seitas satânicas e uso de drogas. Hoje mais cautelosa a mídia repassa e muitas vezes explica o que vêm a ser o RPG.

O crime teria ocorrido num cemitério quando jogadores de Vampiro a Máscara teriam se inspirado no jogo para fazer um ritual. Porém existem controvérsias…

Em entrevista dois dos acusados que negam o crime disseram que apenas um dos acusados era jogador de RPG e mesmo assim teria chegado ao local apenas depois que a garota já estava morta. Também afirmaram que por um dos acusados ser roqueiro ele foi tachado como satanista e somado ao fato de que um era rpgista foram automaticamente considerados como suspeitos até hoje.

Mas teria a promotira e o delegado do caso cometido tão grave erro na investigação e julgamento? A resposta é sim se avaliarmos outro caso também ocorrido no ES. Se vocês lerem a notícia da ISTO É de 2005 com o mínimo de conhecimento você vai notar que os acusados usaram o RPG como desculpa para cometer um crime hediondo, pois isto reduz muito a pena pois passa a ser um crime onde houve uma motivação externa. Mas um delegado pode cair numa dessa? Sim, se ler a notícia verá que o delegado Capella diz que o RPG é satânico embora iria investigar se realmente foi o motivo. Para mim é óbvio que os acusados foram já com intenção de matar e com a história do RPG na cabeça para caso fossem pegos, qualquer jogador de RPG sabe que num jogo de RPG (tal como livros, cinema, teatro e video-game) sabe-se muito bem o limite da realidade e da fantasia. Então me resta opinar que ou o delegado é ingênuo ou ele também está usando o caso (de forma irresponsável aliás) para afirmar sua motivação contra o RPG (seja lá o motivo que for).

Também no site da Procuradoria da República de Minas Gerais é possível achar usando o cache do Google o seguinte documento:
Solicitando a retirada de RPG do mercado pelo Fernando de Almeida Martins. Para quem joga RPG o texto chega a ser engraçado, até uma piada mas é real. Em algumas poucas cidades textos como estes fizeram o RPG ser proibido. Muitas vezes colocado lado a lado com seitas satânicas por pura ignorância e para isto os textos usam e abusam de RPGs temáticos sobre vampiros e lutas entre demônios e anjos (como se não houvessem livros, teatros e novelas igualmente baseados sobre isso).

Os jogos de RPG já vem com recomendações, aliás que sempre acredito ser exagerada (uma aventura de D&D chegou a ser sugerida para maiores de 14 anos) e por este motivo acredito de extremo mal gosto para o mercado RPGístico esse tipo de ação vinda de políticos, juízes e delegados que deveriam ser instruídos e neutros. Aliás a justiça deveria ser laica mas muitas vezes é usado o fato textos apontando o rpg de ser anti-cristão ou satanista como se isto devesse ser levado em conta.

Também no Brasil (talvez hoje mais do que nos EUA) existem muitas igrejas que são contra o jogo de RPG e por conta disso já tive colegas que deixaram de jogar RPG e depois voltaram. Com o tempo algumas igrejas passaram a ter mais conhecimento sobre o assunto e pararam de abordar o tema, outras até hoje alimentam esta raiva. Como não sou ingênuo sei o quanto desse preconceito fermentado nas igrejas são levados para dentro das instituições que deveriam ser laicas.

No caso de Ouro Preto, pode ser que estejam colocando atrás das grades pessoas inocentes movidos pelo preconceito. Ou ainda deixando para trás o verdadeiro criminoso. O delegado do caso? Um fervoroso evangélico de acordo com o Mr. Pop que é advogado e estudou este caso por conta de seu itneresse no RPG. Para o Mr POP o caso tem diversos erros e só chegou aonde chegou devido ao tradicionalismo da cidade. Também é importante citar a força de palavras como RPG, rock e satanismo no inquérito como se algum destes itens fossem proibidos num estado laico e livre como o nosso, denotando o preconceito do caso.

Eu sou evangélico e tive a sorte de jamais passar por uma igreja que fosse contrária, ainda bem pois se não teria originado muita discussão uma vez que não saio de uma briga sem discutir =)

E como se combate esse preconceito? Preconceito só se combate de uma forma, com conhecimento pois preconceito está diretamente ligado à ignorância. Por conta disso uma campanha foi lançada com o nome Bom é jogar RPG com o intuito de levantar as boas coisas do RPG, e explicar e divulgar o que de fato é RPG.

O que não é o RPG?

RPG não é um jogo que você faz o que o Mestre manda. Aliás RPG nem é um jogo, visto que não existem vencedores e perdedores, RPG é uma brincadeira de faz de conta para ser feita com amigos. Não é um jogo em que você usa de violência real para interpretar seu personagem. Não é um jogo que envolve anjos e demônios a menos que este seja o tema do jogo (tal como é o tema de uma peça de teatro, filme ou livro). RPG não tem vencedores e nem perdedores.

E o que é o RPG?

RPG é uma brincadeira de interpretar papéis. Um dos participantes chamado de narrador ou mestre cria a história e os demais interpretam seus personagens seguindo (ou não a história). Não existem vencedores ou perdedores embora quem morre geralmente pára de se divertir até criar um novo personagem.
Não existem recompensas ou penalidades reais, apenas dentro da história.
Praticamente 100% dos RPGs existentes beneficiam o trabalho em equipe, e a maioria deles permitem ou sugerem a criação de personagens que bondosos que lutem contra o mal embora isto não é uma regra, pois assim como existem HQs, livros, peças de teatro e filmes que contam história de anti-heróis, existem RPGs onde seu personagem não será bonzinho ou talvez seja até o vilão da história.
RPG é uma brincadeira social que ajuda a fazer amizades e é um bom motivo para reunir amigos. Também é um ótimo modo de incentivar a leitura e a escrita.

Testemunho

Eu que jogo ativamente RPG desde 1995 posso dizer que o RPG mudou de forma positiva minha vida em diversas fases e de diversas maneiras. Até 1995 eu era uma pessoa muito tímida e com poucos amigos. Como o RPG é um jogo social e impossível de se divertir sozinho, passei a comprar material e a formar uma rede cada vez maior de amigos.
Após o casamento eu parei de jogar devido à falta de tempo e principalmente por ter me mudado de Curitiba para São Paulo, ficando longe dos meus velhos amigos de RPG. Então que minha esposa se interessou em passar a jogar RPG o que fez eu criar um novo grupo de amigos em São Paulo, e de certa forma fortalecer ainda mais meu casamento.
O RPG também me incentivou a manter o hábito da leitura e também a escrever contos e até um livro (embora ele permaneça encalhado na página 100 ^^).

E você, qual sua história com o RPG?

3 comentários sobre “RPG e a ignorância

  1. Pow, eu jogo RPG a 4 anos, e nunca eu precisei matar ninguem da minha familia ou amigos, isso é desculpa de gente, so pra ter a “PENA” reduzida. RPG naum é coisa do capeta naum…. sou católico naum mecho com coisa do capeta…. RPG estimula à pessoa usar a mente.

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