Os Filhos de Húrin

Os Filhos de Húrin

filhos de hurin
-Você está estudando a bíblia moço? – perguntava um senhor de idade perto de mim.
-Não! Este é o livro do “Senhor dos Anéis” -eu respondia. E o idoso já sem interesse ia-se embora. Esta cena ocorreu-me mais de uma vez quando eu li a saga e isto foi muito antes de Gandalf se tornar um nome conhecido aqui no Brasil, pois era no começo da década de 90.

Outra coisa que ocorreu muito antes de alguém ouvir falar de Gandalf foi a triste história dos “Filhos de Húrin”, pois esta ocorre muito ants do surgimento dos grandes sábios ou wizards (magos).

A história de Turín filho de Húrin ocorreu na 1ª Era deste mundo, muitos milhares de anos antes da Guerra do Anel.
Naquela época, Sauron não era mais do que um borra botas de Morgoth (ou Melkor como ele era conhecido na Grande Música) e Húrin foi um humano que feriu seu orgulho. Com grande íra Morgoth jogou sobre Húrin uma terrível maldição, todos os filhos de Húrin teriam um terrível destino. Tudo que tentassem de bom seria convertido ao mal. Seus melhores amigos morreriam, e a maldição teria que se alastrar por todos os seus descendentes e à todos que fossem próximos.

Fora isto, Húrin sob o efeito do poder de Morgoth foi condenado a tudo ver com os olhos de Morgoth, Hurin veria a distorcida história de seus filhos.

É assim que começa a triste história de Túrin filho de Húrin e suas irmãs. Este livro é uma surpreendente viagem a tempos remotos e escrito por duas mãos. Digo duas mãos pois coube ao Christopher Tolkien (que vou chamar de Christopher) reunir todos os esboços de seu pai J.R.R Tolkien (a qual vou chamar de Tolkien) e criar uma história com começo, meio e fim.

Apesar disso em parte por respeito à obra do pai e outra por humildade (herdado certamente de seu pai), ele não assina a obra e no lugar disso na capa diz:
“Escrito por JRR Tolkien e organizado por Christopher Tolkien”

De qualquer modo Christopher fez um grande favor à literatura escrevendo os trechos que faltavam para criar esta obra, certamente a mais sombria do Tolkien.

A tradução brasileira é excelente e de tão boa deixa algumas falhas. Acontece que eles traduziram seguindo as recomendações de Tolkien e que nem sempre fica bem. Um exemplo é traduzir ranger para mateiro (argh!). Quem não sabe o que é um ranger entre os fãs de Tolkien levante a mão! Agora quem diabos sabe o que é mateiro?

Outra coisa foi a tradução de dwarves para ananos em vez de anões. Tolkien criou esta raça que tem o nome muito semelhante a dwarfs (anões) mas ao mesmo diferente para ninguém imaginar que é uma pessoa deformada e sim uma raça semelhante a humanos anões. Mas dai a criar ananos para ficar parecido com anões é foda! Novamente qualquer um que lesse anão no livro de Tolkien hoje em dia saberia perfeitamente do que se trata. Por conta desta besteira cada vez que eu lia “ananos” me dava calafrio.

E por último os poemas que foram apenas traduzidos e não adaptados para obedecer à rima. O que ocasionou um texto longo e sem graça nos apêndices. E pior, nenhuma nota do tradutor. Ainda assim o trabalho de tradução é notável e de boa qualidade.

O livro brasileiro é recheado de imagens fantásticas de Alan Lee que ilustra todas as cenas importantes. Só as imagens valeriam o livro, mas somando tudo cada página vale ouro.

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