Soulforge – Margaret Weis

Soulforge – Margaret Weis

Bom, se você não leu ainda a trilogia Dragon Lance Chronicles eu primeiro peço que, sem falta, você leia:

Ok, agora supondo que você já saiba ao menos quem é Raistlin Majere, eu irei falar de Soulforge.

Soulforge conta a infância de Raistlin Majere, até seu grande teste na Torre da Alta Magia. Pouco?
Além disso, esta história é essencial para entender e dar profundidade nos personagens da saga. Apenas com este livro é possível compreender algumas coisas que nas crônicas ficaram obscuras em relação a relacionamentos. Ah, mas se este livro vem antes da trilogia eu não deveria ler antes? NÃO! Ele foi feito para quem já leu a trilogia, vai por mim ^^

O único problema é que ele ainda não foi traduzido para o português (porra editoras porra!), mas para quem sabe inglês é um livro que não pode ser deixado para trás. E para deixá-los com inveja, eu tenho o livro versão capa-dura e, pasmem!, com o autógrafo da Margaret Weiss com o dizer “Mantenha a Magia” =)

Os Filhos de Húrin

Os Filhos de Húrin

filhos de hurin
-Você está estudando a bíblia moço? – perguntava um senhor de idade perto de mim.
-Não! Este é o livro do “Senhor dos Anéis” -eu respondia. E o idoso já sem interesse ia-se embora. Esta cena ocorreu-me mais de uma vez quando eu li a saga e isto foi muito antes de Gandalf se tornar um nome conhecido aqui no Brasil, pois era no começo da década de 90.

Outra coisa que ocorreu muito antes de alguém ouvir falar de Gandalf foi a triste história dos “Filhos de Húrin”, pois esta ocorre muito ants do surgimento dos grandes sábios ou wizards (magos).

A história de Turín filho de Húrin ocorreu na 1ª Era deste mundo, muitos milhares de anos antes da Guerra do Anel.
Naquela época, Sauron não era mais do que um borra botas de Morgoth (ou Melkor como ele era conhecido na Grande Música) e Húrin foi um humano que feriu seu orgulho. Com grande íra Morgoth jogou sobre Húrin uma terrível maldição, todos os filhos de Húrin teriam um terrível destino. Tudo que tentassem de bom seria convertido ao mal. Seus melhores amigos morreriam, e a maldição teria que se alastrar por todos os seus descendentes e à todos que fossem próximos.

Fora isto, Húrin sob o efeito do poder de Morgoth foi condenado a tudo ver com os olhos de Morgoth, Hurin veria a distorcida história de seus filhos.

É assim que começa a triste história de Túrin filho de Húrin e suas irmãs. Este livro é uma surpreendente viagem a tempos remotos e escrito por duas mãos. Digo duas mãos pois coube ao Christopher Tolkien (que vou chamar de Christopher) reunir todos os esboços de seu pai J.R.R Tolkien (a qual vou chamar de Tolkien) e criar uma história com começo, meio e fim.

Apesar disso em parte por respeito à obra do pai e outra por humildade (herdado certamente de seu pai), ele não assina a obra e no lugar disso na capa diz:
“Escrito por JRR Tolkien e organizado por Christopher Tolkien”

De qualquer modo Christopher fez um grande favor à literatura escrevendo os trechos que faltavam para criar esta obra, certamente a mais sombria do Tolkien.

A tradução brasileira é excelente e de tão boa deixa algumas falhas. Acontece que eles traduziram seguindo as recomendações de Tolkien e que nem sempre fica bem. Um exemplo é traduzir ranger para mateiro (argh!). Quem não sabe o que é um ranger entre os fãs de Tolkien levante a mão! Agora quem diabos sabe o que é mateiro?

Outra coisa foi a tradução de dwarves para ananos em vez de anões. Tolkien criou esta raça que tem o nome muito semelhante a dwarfs (anões) mas ao mesmo diferente para ninguém imaginar que é uma pessoa deformada e sim uma raça semelhante a humanos anões. Mas dai a criar ananos para ficar parecido com anões é foda! Novamente qualquer um que lesse anão no livro de Tolkien hoje em dia saberia perfeitamente do que se trata. Por conta desta besteira cada vez que eu lia “ananos” me dava calafrio.

E por último os poemas que foram apenas traduzidos e não adaptados para obedecer à rima. O que ocasionou um texto longo e sem graça nos apêndices. E pior, nenhuma nota do tradutor. Ainda assim o trabalho de tradução é notável e de boa qualidade.

O livro brasileiro é recheado de imagens fantásticas de Alan Lee que ilustra todas as cenas importantes. Só as imagens valeriam o livro, mas somando tudo cada página vale ouro.

Old Dragon testado e aprovado!

Old Dragon testado e aprovado!

logo Testei por três sessões o Old Dragon usando as aventuras Flagelo Rei e Vermes do Feudo Maldito e irei rapidamente levantar os melhores (e piores) pontos do sistema e das aventuras.

O quê? Não sabe o que é Old Dragon? Pare agora mesmo de ler este post e vá no site deles conferir antes de seguir adiante!
www.olddragon.com.br/

O Sistema:

O sistema, pelo menos para level baixo, está muito bom, não senti falta de nada. O sistema consegue realizar com louvor o que se propõe: um sistema que lembra os primeiros D&D para podermos reaproveitar nosso material de AD&D, D&D etc.

A escolha do sistema de combate remover THAC0 foi ótima, até porque converter qualquer material antigo de THAC0 para BA é teta. Basta de modo grosseiro fazer 20-THAC0.

Legal o uso dos dados que não são o D20 para todas as coisas e não somente para dano. As habilidades terem seus valores usáveis e não apenas os bonus, as tabelas, também. Eu não mudaria nada, o pessoal do Old Dragon está de parabéns!

Vermes do Feudo Maldito

Esta é uma aventura que me faz lembrar aqueles filmes B dos anos 80 que passavam no Sistema Bozo de Televisão. Não, não é ruim, pelo contrário é ótimo!
Esta aventura foi escrita pelo Felipe Leandro e tem um nível de detalhamento incrível. Vale mesmo a pena!
Minha única crítica é que existem lugares onde as referências aparecem em mais de um lugar, então uma informação demora para ser encontrada. Por exemplo achar algo sobre o cemitério, provavelmente você vai procurar em três lugares até encontrar, se for azarado como eu =).

A Caverna do Flagelo-Rei

Esta aventura tem uma idéia muito interessante, mas infelizmente morre na praia. Ela foi escrita pelo autor Gabriel Seixas e a sensação que tive é que faltou um pouco de atenção para criar um material que a aventura merece.

Vamos aos fatos. Minha primeira crítica é quanto a dificuldade dos monstros. Para personagens de 1º nível, suponha 4 personagens. Seus hps irão variar entre 4 a 12, o monstro dá 2d4+6 se usar garras, ou 2d6+1 (média de 7 de vida) se morder. Seu ataque +5 torna praticamente impossível de não matar um personagem em 2 rodadas, e seu hp o possibilita sobreviver pelo menos 3 rodadas o que seria suficiente para matar pelo menos um personagem logo no primeiro encontro.

Mais adiante mais inimigos perigosos, e uma aranha que dá um tipo de veneno que não é detalhado na aventura.

Outro detalhe é a primeira sala da caverna. Uma caverna no meio da montanha e a primeira sala tem quadros e uma estátua??? Qual o motivo disso tudo numa caverna? A aventura não explica.
Também não explica o medalhão caríssimo de 250PO na estátua, com um save or die embutido nele (forte para aventura de 1º nível né?)

Mas, como disse, a idéia é ótima e um mestre atento saberá corrigir a aventura e se divertir com ela, mas deve ser cauteloso ao usá-la para não traumatizar seus jogadores =D.

Conclusão

O OD é fantástico, porém por ser livre os materiais que irão surgir terão diferentes graus de qualidade, o que é esperado e perfeitamente perdoável. Cabe talvez à equipe do OD criar um Rank das aventuras e materiais mais aceitos para que os usuários experimentem com cautela uma ou outra coisa. Mas a iniciativa é ótima e os autores das aventuras devem continuar a criar aventuras cada vez melhores para incentivar nosso hobby. Quem sabe eu não me anime a criar alguma? =D