3.5 e suas regras, regras e mais regras

3.5 e suas regras, regras e mais regras

pilha de regras!
pilha de regras!

Depois de nossa jogatina de segunda, eu e marido-nerd ficamos um tempo papeando sobre o peso das regras de D&D 3.5 na sessão e chegamos a uma conclusão: D&D 3.5 pede jogadores que gostam de aprender regras.

E isso não é bom nem mau. Eu gosto, o marido-nerd gosta, o Tchelo e a Lina, com quem sempre jogamos, gostam. A gente se diverte. Eu chego a ser mala. Gosto de descobrir uma regra e entender o motivo dela ter sido criada, como ela muda a dinâmica do jogo, de uma classe ou outra. Mas tem gente que não gosta, não tem saco, e aí que, na hora do jogo, a sessão empaca.

Empaca porque um jogador não anotou na ficha o bônus de ataque com sua arma principal e rola só o d20, esperando o mestre completar a conta.

Empaca porque outro jogador cria um bardo, mas na hora do combate fica atacando com sua arma de 1d3 de dano em vez de cantar.

Empaca porque o mestre precisa ir até a ficha do jogador marcar que ele usou determinada magia (ou, com nossa regra, perdeu ponto de matk), porque o jogador nunca lembra de fazer.

Quando a turma está aprendendo as regras, isso não é um problema. Eu e Edson jogamos assim com o Tchelo por um bom tempo. Sequer usávamos todas as regras. O mestre ia aplicando aos poucos, até a gente se acostumar. Tanto que só fomos usar a regra de cobertura direito há poucos meses. Até então, minhas rangers apelavam lançando flechas e flechas com gente do grupo no caminho sem penalidade alguma.

O problema é mais de harmonia mesmo entre o modo de jogar e o sistema. O D&D tem regras voltadas para o combate. E é natural que haja muitos deles em uma campanha. Então, mesmo que o jogador goste mais de interpretação e não ligue muito para ficha, combos e combate, é importante, como diz o marido-nerd, ele manter o personagem dele vivo e gerar uma história melhor para ele. Afinal, personagem morto não faz história.

Porque o resultado dos empacamentos acima não é só uma sessão de combate truncada. É perda para o personagem. No primeiro caso, por exemplo, a gente acaba somando o básico na hora: ataque base + força. E, nessa hora, a gente esquece do talento que dá + 1 no ataque, ou que a arma é obra-prima, ou ainda que alguém soltou alguma magia e todos estão com +1 de bônus. No segundo caso, o bardo poderia ter criado uma canção de encorajamento e dado o bônus para os atacantes. Segundo os cálculos do mestre, ele teria feito os atacantes causarem em média 50 a mais de dano, por conta dos ataques perdidos por diferença de 1 na rolagem de ataque. Vê a diferença? No terceiro caso, o mestre perde tempo que poderia ser usado para criar melhor os diálogos dos npcs, caprichar na narrativa, em vez de pagear ficha de jogador.

Ninguém precisa virar combeiro para se manter vivo. Mas pegar gosto pelas regras pode tornar um combate – e uma campanha – muito mais divertido para todos: com histórias mais ricas e narrações mais cuidadosas e personalizadas.

Entrevista – Saymon Cesar, d’A Lenda de Materyalis

Entrevista – Saymon Cesar, d’A Lenda de Materyalis

Com a criação do Taulukko, acabamos por descobrir uma iniciativa muito interessante no RPG nacional, A Lenda de Materyalis. E-mail vai, e-mail vem, fechamos uma parceria para o desenvolvimento do futuro sistema de fichas de personagens. De quebraganhamos contato com um projeto que merece ser divulgado. Para explicar do que se trata, conversamos com Saymon César, presidente do Projeto. Ao papo:

O que é A Lenda de Materyalis? É um cenário? É um sistema de regras?
O tema é um cenário de jogo, mas também podemos dizer que é um sistema. Isso porque, baseado em todo o cenário proposto, estamos desenvolvendo nosso sistema para o livro usando o D20, mas adaptando a conceitos que são essenciais ao Materyalis. Por exemplo, as dez Dens (doutrinas) que dividem o que seriam considerados como classes no D&D e em outros sistemas.

Qual é a sua função dentro do projeto? Há quanto tempo você está nele?
Sou o presidente do projeto. Meu dever é manter as diretorias (hoje são seis cargos de diretores diferentes na campanha) organizadas, com o trabalho funcionando. Além disso, tento sempre pensar em inovações e formas para que o máximo de jogadores sejam atingidos, dando ao Materyalis um tema agradável. O projeto ao todo tem quatro anos e iniciou-se apenas com a campanha de RPG, apesar de desde o princípio nos focarmos na obra literária.

Você disse que o Materyalis  é um cenário de campanha. Como funciona? Ele pode ser jogado sem a supervisão dos lideres do projeto? É preciso baixar ou comprar algo para jogar Materyalis? Por onde um jogador pode começar?
O tema de A Lenda de materyalis retrata um cenário de guerra ideológica, onde seres tão fanáticos por seus ideais que não hesitam em lutar com tudo por aquilo que acreditam, até impor o que pensam. Existem atualmente sete ideologias oficiais, entre as quais o jogador escolhe uma e monta  background de seu personagem, colocando também a doutrina (são dez ao todo), raça e, enfim, monta a ficha.

Normalmente, os jogos na campanha supervisionados. Mas, claro, nada impede que os personagens interajam sem um mediador. Na verdade, os próprios membros acabaram acostumando-se em interagir de forma supervisionada, o que acabou criando um hábito de interagirem pouco por conta própria. Nós, da diretoria, estamos tentando fazer com que cada vez mais estas interações sejam incentivadas, pois o personagem é livre :para o jogo em si.

Os jogos supervisionados, por exemplo, são denominados “Jogos oficiais”, onde narradores diversos conduzem as aventuras, por trás de uma grande estrutura e regras para que o jogo seja, além de organizado, algo interessante em todos os sentidos para os membros. Além disso, há a facilidade de não ter de fazer qualquer tipo de download para jogar, uma vez que sendo um jogo interpretativo, por chat e fórum, um software é perfeitamente dispensável. Para quem joga em mesa, ou já jogou, trata-se do mesmo esquema, mas utilizando fórum e chat para tal.

Ao todo, quantas campanhas oficiais existem?
A campanha conta atualmente com oito jogos oficiais. Nós costumamos dividi-las por término em semestres e, após isto, são distribuídas as XPs dos personagens, pois também damos intervalos para que os membros atualizem suas fichas. No próximo semestre, estimam-se pelo menos 11 campanhas.

Existe cruzamento de informações entre os mestres? O que um jogador faz em uma campanha oficial afeta o jogador de outra campanha?
Sim. Disponibilizamos no fórum um tópico restrito onde apenas os narradores acessam. Ao término de cada semestre de jogo oficial, os dados acontecidos nas aventuras são repassados a um encarregado chamado Diretor de Organização Narrativa e Mestria, e também a outro encarregado, que é o Diretor de Ambientação e Cenário. Ambos colhem as informações, que são repassadas aos narradores e, no semestre seguinte, todos já sabem que tipo de influências ocorreram pelas atitudes dos personagens, e o que pode vir a calhar nas próximas aventuras.

Existe algo semelhante fora do Brasil? Vocês se espelharam em algo parecido?
Nunca encontramos nada parecido, tanto nacionalmente como internacionalmente, com o Materyalis. Existem fóruns menores que utilizam-se de regulamentos parecidos, mas geralmente duram pouco tempo. Alguns jogadores dão tanto crédito ao Materyalis devido ao enorme tempo em que estamos sem sequer parar. Nestes quatro anos, o grupo foi firme. Nenhum de nós chegou a se referenciar em algo para desenvolver no que diz respeito à metodologia dos jogos e às interações.

Você disse que o sistema é baseado no d20, 3a ou 4a edição? Ou existe para ambas?
Atualmente, nós usamos o sistema 3D&T. A Editora Conclave, porém, colocou que o lançamento do livro só seria possível com o sistema D20. No fim do ano, conseguiremos converter todo o sistema para o D&D terceira edição (no caso o 3.5, OGL). A quarta edição não pôde ser feita devido a esta não permitir o lançamento da obra em OGL, o que não atenderia corretamente ao cenário do Materyalis.

Você havia falado anteriormente sobre ideologias e doutrinas, poderia falar um pouco mais sobre elas?
Estes são dois pontos que dão ao Materyalis características e identidade próprias. As ideologias caracterizam a visão de mundo de cada personagem e como ele vê a lenda de Materyalis. Todas foram criadas após a cisão de Materyalis em Materyon e Marilis, entidades benigna e maligna, respectivamente. Deste fato, originaram-se as ideologias referenciadas aos dois seres, os teryonistas, e os marílicos. Enquanto os teryonistas vêem o bem como a verdade universal, e como um exemplo da perfeição de Materyalis, por colocar em um único ser tudo que havia de benéfico, os marílicos enxergam a maldade como algo natural e inerente do ser.

Outras ideologias formaram-se após a divisão de Materyalis, como os clifistas, que pregam a destruição de Materyon e Marilis e o domínio dos seres adquirindo poder, por serem independentes. Há também os emílicos, que julgam que o equilíbrio entre as duas existências é essencial para a existência dos seres. Há também outras ideologias, cada uma vendo a lenda como uma forma diferente de ser ter a verdade. Porém, não há um respeito mútuo quanto a isto e, a fim de buscarem sobre um artefato chamado sinkra, revelador dos segredos de Materyalis, tentam encontrar e possuí-lo, como uma forma de impor sua ideologia.

Já as doutrinas refletem dez caminhos de habilidades no qual um personagem deve seguir. Elas não foram exatamente baseadas em outros sitemas, e sim seguindo uma lógica do próprio cenário. São elas as doutrinas guerreira, marcial, alquímica, elemental, natural, feiticeira, planar, psíquica, espiritual e devota. Todas elas possuem 100 técnicas diferentes de combate.

O cenário é fantasia medieval, futurista? Em que estilo se encaixaria mais o cenário de  ALM ?
A melhor forma de descrever o cenário de A lenda de Materyalis é classificando-o como “Fantasia Medieval”, especialmente pela presença de personagens da doutrina alukan (alquímica). Mesmo sendo um cenário predominantemente medieval, alguns elementos podem vir a torná-lo como algo mais avançado a este tempo, e por isso, esta é a melhor forma de caracterizá-lo.

Existe algum requisito para alguém participar? É necessário conhecer o sistema?
Não há requisitos. Isto vai do próprio jogador. Minha equipe está voltada a ajudar mesmo jogadores iniciantes a entender o cenário e participar, orientando também na construção da ficha. Fazemos um passo a passo com cada jogadores, seja pelo fórum e, ultimamente, até pelo MSN, o que tem facilitado muito os jogadores que não entendem bem como jogar. Além disso, o que pedimos é o básico para todo jogador: bom senso, saber diferenciar jogo da realidade, saber aceitar uma derrota, não levar o jogo para um problema ou briga pessoal com quem quer que seja, e não criar confusão por uma campanha de RPG, afinal, temos uma comunidade para diversão, e a guerra é em ON, não em OFF.

Creating Taulukko, we got in touch with a very interesting brazilian RPG project, called A Lenda de Materyalis. E-mails after, we made a deal to develop our future character sheet. Besides, we won a contact with a project which deserves to be announced. To explain what it’s all about, we talked to Saymon César, Materyalis’ president. To the chat:

What’s A Lenda de Materyalis? Is it a setting? A rule system?

It´s a game setting, but it also can be called a system. We are developing our system to D20, but the concepts that are essencial to Materyalis are being adapted. For exemple, we have the ten Dens that divide what would be considered as classes to D&D.

What’s your position on project?

I´m president. My duty is to keep all the board of directors (we have six posts today) organized and working. Besides, I always try to think about inovations and formats to reach all players I can, giving to Materyalis a pleasant theme. The project has 4 years old and started as a RPG campaign. But since the begining we focused on literary work.

You said Materyalis is a campaign setting. How does it word? Can it be played without the lider control? Do a player need to download anything? How someone start?

Materyalis show a setting of ideological war where creatures fanatics about their ideals do not hesitate to fight for them. There are seven oficial ideologies. Player chose among them and creat it’s character background. Then he chose one of the ten doctrines, race and so on.

In an ordinary way, games are controlled. But, of course, nothing restrain characters to interact without mediation. In fact, players get used to act under control, which created a customary behavior. We are trying to motivate interactions among characters, as they are free.

The controlled games, for exemple, are called “oficial games”, where narrators guide the adventures, under a big structure and rules. So the game can be organized and something really interesting for the players.

Players do not have to download anything. Being an interpretative game, it can be played by chat and forum.

How many oficial campaigns are being played?

Presently there are eight of them. After each semester, we give XP and a time for player to update their character sheets. For the next semester, we estimate there will be 11 campaigns.

Game masters exchange information? What a player do at one campaign has any effect on other campaign?

Yes. We have a restricted topin at our forum for game masters. At a semester’s end, they give all adventure data to two of the Directors, who organize and give it back to all narrators. So, on the next semester, everybody know what can have effect on characters.

Is there anything like this out of Brazil? Have you been inspired by something alike?

We have never found something like that. There are smaller forums which have similar rules, but it do not remain. Our players remain because we have never stopped in four years.

You said the system is D20 based. 3º or 4º edition?

Presently, we use 3D&T. But Conclave Publisher told the book release would only be possible with D20. At the end of the year, we will have all system converted to D&D 3th edition (3.5 OGL). We couldn’t do it to 4º because it does not allow the release in OGL.

Could you tell more about ideologies and doctrines?

They are two things that give Materyalis unic identity. Ideologies tell about how each character deals with world and how he sees the Materyalis legend. All ideologies were created after the Mateyalis split in Materyon and Marilis, which are a good and evil entities. From them, two beings are oriented: teyonists and marilics. The first group see good as the universal truth and as an exemple of Materyalis perfection. Marilics see evil as something natural.

There are other ideologies, as clifists, who proclaim the Materyon and Marilis destruction and the power for the beings, as they are independent. There are also the emilics, who say the balance between two existances are essencial to creature’s existence. Each ideology brings a way to see the truth, but there are no mutual respect. To find an artefact called sinkra, which reveals the Materyalis secrets, they try to estabilish their ideology.

The doctrines reflect ten habilities ways a character should follow. They are based on a own setting logic. They are: warrior, martial, alchimic, elemental, natural, witchery, planar, mental, spiritual and devotional. All of them have 100 combact skills.

What the style of this setting?

The best way to describe it is classifying as a Medieval Fantasy.

Is there any pre-requisite to participate?

No. My team is devoted to help new players to understand the setting and play. They also help to create the charactersheet step-by-step. We also ask something that’s essential to every player: good sense, know how to split game from reality, accept a defeat, do not bring a personal disagreement to game. War happens On, not in Off.